As Eleições 2026 colocam 12 candidaturas na disputa pela Presidência da República. Neste guia, reunimos informações públicas sobre os candidatos, suas trajetórias políticas e os principais episódios de controvérsia, processos, investigações ou decisões judiciais relacionados a cada nome.
O objetivo deste conteúdo é informar o eleitor, e não recomendar qualquer candidato. Também é importante diferenciar uma investigação, uma acusação, uma decisão eleitoral e uma condenação criminal: são situações juridicamente diferentes.
Quem são os candidatos à Presidência em 2026?
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as 12 chapas com registro aprovado para a Presidência são:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – 13
- Flávio Bolsonaro (PL) – 22
- Ronaldo Caiado (PSD) – 55
- Romeu Zema (Novo) – 30
- Renan Santos (Missão) – 14
- Augusto Cury (Avante) – 70
- Hertz Dias (PSTU) – 16
- Edmilson Costa (PCB) – 21
- Rui Costa Pimenta (PCO) – 29
- Samara Martins (UP) – 80
- Wilson Grassi (Democrata) – 35
- Clariana Barão (DC) – 27
O TSE confirmou oficialmente essas 12 chapas após concluir o julgamento dos registros. A candidatura de Pablo Marçal, pelo PRTB, foi indeferida. 1
1. Lula (PT)
Luiz Inácio Lula da Silva é o atual presidente da República e busca um novo mandato.
Principais controvérsias e processos
O principal episódio jurídico da trajetória recente de Lula foi a Operação Lava Jato. O ex-presidente foi condenado nos casos relacionados ao triplex do Guarujá e ao sítio de Atibaia.
Entretanto, em 2021, o Supremo Tribunal Federal confirmou a anulação das condenações porque considerou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para julgar aqueles processos. Com a anulação, as condenações deixaram de produzir efeitos jurídicos e Lula recuperou os direitos políticos. 2
Portanto, é importante não apresentar atualmente Lula como alguém com condenação criminal válida nesses processos. A situação jurídica resultou da anulação das decisões.
2. Flávio Bolsonaro (PL)
Flávio Bolsonaro é senador pelo Rio de Janeiro e candidato do Partido Liberal à Presidência.
Caso das chamadas “rachadinhas”
Um dos principais episódios associados ao candidato é a investigação sobre suposto esquema de apropriação de parte dos salários de funcionários de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Em 2021, o STF anulou quatro dos cinco relatórios financeiros do Coaf utilizados como base da investigação, considerando irregular a forma como esses dados haviam sido compartilhados. 3
Em 2026, o caso voltou ao debate público após pedidos para que a investigação fosse reaberta, com novos elementos apresentados por requerentes. Isso não equivale a uma condenação de Flávio Bolsonaro. 4
Outros episódios recentes
Em 2026, a Polícia Federal concluiu um inquérito no qual apontou possível prática de calúnia contra Lula em uma publicação feita por Flávio nas redes sociais. 5
Também em 2026, Flávio foi incluído em uma investigação relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo a Agência Brasil, o inquérito apura suspeitas envolvendo um repasse de R$ 61 milhões para a produção. Trata-se de uma investigação, e não de uma condenação. 6
3. Ronaldo Caiado (PSD)
Ronaldo Caiado é médico, político de longa trajetória e ex-governador de Goiás.
Condenação eleitoral de 2024
Um dos principais episódios recentes envolvendo Caiado ocorreu nas eleições municipais de 2024.
Ele foi condenado pela Justiça Eleitoral de Goiás por abuso de poder político. Em abril de 2025, porém, o TRE-GO afastou a declaração de inelegibilidade. A multa de R$ 60 mil aplicada ao governador foi mantida naquela decisão, segundo a Agência Brasil. 7
O caso demonstra a importância de distinguir uma condenação eleitoral em primeira instância de uma situação definitiva de inelegibilidade.
4. Romeu Zema (Novo)
Romeu Zema é empresário e ex-governador de Minas Gerais.
Denúncia por calúnia
Em maio de 2026, a Procuradoria-Geral da República denunciou Zema ao Superior Tribunal de Justiça pelo crime de calúnia contra o ministro Gilmar Mendes.
A denúncia foi relacionada a vídeos publicados nas redes sociais pelo então governador, nos quais eram feitas referências satíricas a ministros do STF e ao caso Banco Master. A denúncia da PGR não significa, por si só, condenação criminal. 8
O episódio se tornou uma das principais controvérsias jurídicas envolvendo Zema durante o período que antecedeu a eleição presidencial.
5. Renan Santos (Missão)
Renan Santos é empresário e uma das principais figuras ligadas ao Movimento Brasil Livre (MBL).
Ação do Ministério Público Federal
Em agosto de 2026, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação contra Renan Santos e a entidade responsável pelo MBL.
Segundo o MPF, a ação questiona publicações em redes sociais consideradas discriminatórias contra povos indígenas do Pará. O órgão pediu indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos, além da retirada de conteúdos e retratação pública. 9
O episódio é uma ação judicial de natureza civil e não deve ser apresentado como uma condenação criminal.
6. Augusto Cury (Avante)
Augusto Cury é escritor e estreante em uma eleição presidencial.
Controvérsia envolvendo propaganda eleitoral
Em setembro de 2026, reportagem da Folha identificou mais de 60 anúncios de apoio a Cury impulsionados por terceiros nas plataformas da Meta.
A legislação eleitoral restringe quem pode contratar propaganda eleitoral paga. A campanha de Cury afirmou que não tinha conhecimento dos conteúdos e declarou atuar de acordo com as normas. 10
Cury também provocou repercussão política ao declarar, durante entrevista, que considerava exageradas algumas condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023. Essa declaração representa uma posição política do candidato e não um processo contra ele. 11
7. Hertz Dias (PSTU)
Hertz Dias é professor e militante do PSTU.
Hertz Dias possui uma trajetória política ligada ao movimento sindical e às organizações de esquerda. Nas fontes eleitorais consultadas para este levantamento, não foi identificado um processo ou condenação de grande repercussão nacional comparável aos casos jurídicos descritos anteriormente.
Isso não significa que não existam críticas ou controvérsias políticas relacionadas à sua atuação. Significa apenas que não é adequado transformar críticas políticas em “escândalos” sem documentação específica.
8. Edmilson Costa (PCB)
Edmilson Costa é economista, professor e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro.
Ele possui uma longa trajetória de militância política e já disputou eleições anteriores, incluindo a Prefeitura de São Paulo em 2008 e a Vice-Presidência da República em 2010. 12
Nas fontes consultadas para este levantamento, não foi localizado um escândalo ou condenação criminal de grande repercussão nacional envolvendo sua candidatura de 2026.
9. Rui Costa Pimenta (PCO)
Rui Costa Pimenta é jornalista, dirigente político e candidato do Partido da Causa Operária.
Sua trajetória é marcada principalmente pela atuação política e pela direção do PCO. Nas fontes consultadas para este levantamento, não foi identificado um processo criminal de grande repercussão nacional que possa ser apresentado como um “escândalo” envolvendo sua candidatura presidencial de 2026.
É importante separar as posições políticas controversas do PCO de eventuais acusações criminais pessoais contra o candidato.
10. Samara Martins (UP)
Samara Martins é candidata da Unidade Popular (UP).
A candidata participa da eleição presidencial com uma plataforma política ligada à esquerda e à atuação da Unidade Popular.
Nas fontes consultadas para este levantamento, não foi localizado um processo criminal ou condenação de grande repercussão nacional envolvendo Samara Martins que possa ser apresentado como um escândalo pessoal.
11. Wilson Grassi (Democrata)
Wilson Grassi é veterinário e empresário.
Decisão do TSE durante a campanha
Em agosto de 2026, o ministro Dias Toffoli determinou a suspensão da propaganda eleitoral de Grassi na internet, além da suspensão dos repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e da participação do candidato em determinados debates, até decisão final do TSE sobre o caso. 13
Processo envolvendo contrato público
Em outubro de 2026, reportagem do UOL informou que Grassi é réu em uma ação relacionada a um contrato de R$ 44,8 milhões com a Prefeitura de Guarulhos envolvendo hospitais veterinários. Segundo a reportagem, Grassi afirma que a rescisão do contrato ocorreu por perseguição política.
Ser réu em uma ação judicial não significa ter sido condenado. 14
12. Clariana Barão (DC)
Clariana Barão é advogada e disputa pela primeira vez uma eleição.
Ela foi escolhida pelo Democracia Cristã para substituir a longa sequência de candidaturas presidenciais de José Maria Eymael pelo partido. Clariana também lidera uma chapa formada exclusivamente por mulheres. 15
Nas fontes consultadas para este levantamento, não foi localizado um processo criminal ou condenação de grande repercussão nacional envolvendo Clariana Barão.
Pablo Marçal está na eleição?
Não. Pablo Marçal apresentou candidatura pelo PRTB, mas o TSE indeferiu o registro da chapa formada por Marçal e Leonardo Avalanche.
Segundo o TSE, entre os motivos estava a falta de comprovação da filiação partidária exigida pela legislação eleitoral. O tribunal também registrou que Marçal estava inelegível em razão de decisão anterior relacionada à promoção de concursos de cortes de vídeos com ofertas de prêmios para divulgação de conteúdo eleitoral. 16
Por isso, Marçal não integra a lista dos 12 candidatos com candidatura validada para a disputa presidencial.
Como interpretar os históricos dos candidatos?
Um histórico político não deve ser analisado apenas pela quantidade de notícias negativas encontradas na internet. Existem diferenças importantes entre as situações:
- Investigação: significa que determinado fato está sendo apurado.
- Denúncia: o Ministério Público ou outro órgão acusa formalmente alguém perante a Justiça.
- Réu: significa que a Justiça recebeu uma acusação e a pessoa passou a responder ao processo.
- Condenação: uma decisão judicial considerou a pessoa responsável por determinado ilícito.
- Condenação anulada: uma decisão anterior deixa de produzir efeitos jurídicos.
- Absolvição: a Justiça conclui que não há responsabilidade penal ou jurídica nos termos daquela acusação.
- Decisão eleitoral: pode envolver propaganda, abuso de poder, prestação de contas, filiação partidária ou outros aspectos eleitorais.
Por que consultar fontes oficiais?
O TSE disponibiliza informações oficiais sobre candidaturas, planos de governo, prestação de contas, doadores e fornecedores por meio do sistema DivulgaCandContas.
O tribunal também disponibilizou uma página específica com os planos de governo dos candidatos à Presidência em 2026. 17
Além das fontes oficiais, decisões do STF, STJ, Justiça Eleitoral, Ministério Público e reportagens jornalísticas podem ajudar a entender processos e controvérsias.
Conclusão
A eleição presidencial de 2026 reúne candidatos com trajetórias políticas muito diferentes. Alguns possuem décadas de vida pública e já estiveram envolvidos em processos judiciais de grande repercussão. Outros são estreantes ou possuem atuação política mais restrita.
Ao pesquisar o histórico de um candidato, é importante verificar o que realmente aconteceu, em que ano ocorreu, qual órgão investigou ou julgou o caso e qual foi o resultado final.
Uma acusação não é automaticamente uma condenação, assim como uma decisão judicial de primeira instância pode ser modificada posteriormente. O eleitor pode consultar os documentos oficiais e comparar o histórico, as propostas e as posições de cada candidato antes de tomar sua própria decisão.
Compartilhe este conteúdo para que mais pessoas possam conhecer os candidatos das Eleições 2026 e pesquisar seus históricos antes de votar.












